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Como Criar um Caderno Multissensorial para Crianças com Dislexia e TDAH

Descubra como criar um caderno multisensorial para apoiar crianças com dislexia e TDAH, combinando texturas, aromas e atividades neuroeducacionais de forma prática.

Como Criar um Caderno Multissensorial para Crianças com Dislexia e TDAH

Em contextos de intervenção psicopedagógica, o uso de ferramentas que envolvam múltiplos sentidos pode acelerar a aprendizagem e promover maior engajamento em crianças com dislexia e TDAH. Uma estratégia poderosa é o caderno multisensorial, que combina texturas, cores, aromas e atividades interativas. Neste guia completo, você encontrará orientações passo a passo para planejar, montar e aplicar esse recurso em atendimentos e na sala de aula inclusiva.

O que é um caderno multisensorial?

Definição e princípios

O caderno multisensorial é um material pedagógico estruturado em páginas que estimulam diferentes canais sensoriais simultaneamente. Cada página pode incluir texturas variadas (papel áspero, lixa, tecido), contrastes de cor, pequenas bombas de aroma e elementos sonoros ou digitais, como QR Codes que reproduzem áudios ou vídeos. O objetivo é ativar redes neurais distintas, reforçando a memória sensorial e cognitiva.

Baseado em neurociência aplicada, esse recurso utiliza o conceito de enriquecimento ambiental: ambientes ricos em estímulos facilitam a plasticidade cerebral e favorecem a consolidação de novos conhecimentos. Quando planejado de forma personalizada, o caderno multisensorial auxilia na autorregulação, atenção e precisão na leitura e escrita.

Benefícios para crianças com dislexia e TDAH

Crianças com dislexia frequentemente apresentam dificuldades na decodificação de símbolos e em conectar informações visuais e auditivas. Já aquelas com TDAH podem ter déficits na manutenção da atenção e no controle de impulsos. O caderno multisensorial oferece:

  • Reforço tátil: o toque de diferentes texturas ajuda a consolidar a forma das letras e palavras.
  • Suporte visual: uso de cores e contrastes que destacam sílabas e fonemas.
  • Estimulação olfativa: aromas suaves (baunilha, lavanda) para criar associações positivas e auxiliar na memorização.
  • Integração auditiva: áudios de pronúncia, música de fundo ou instruções para leitura guiada.

Esses estímulos combinados tornam a experiência de aprendizagem mais rica e motivadora, contribuindo para maior autocontrole, redução da ansiedade e melhora no desempenho escolar.

Materiais necessários

Texturas e cores

Para explorar o sentido do tato e da visão, você pode usar folhas de lixa fina, tecidos como veludo ou cetim, papéis coloridos e cartolinas com relevos. Organize as páginas em divisórias coloridas, codificando cada seção por dificuldade ou tipo de atividade.

Aromas e sons

Pequenos frascos de óleos essenciais (como lavanda, laranja doce e hortelã) adicionam componente olfativo. Utilize adesivos para fixar aroma nas bordas ou em pequenos envelopes dentro do caderno. Para o estímulo sonoro, grave instruções de leitura ou músicas breves em um smartphone e gere QR Codes para acesso rápido.

Ferramentas tecnológicas

Aplicativos de realidade aumentada podem enriquecer as páginas com animações 3D ou narrações personalizadas. Confira atividades e aplicativos de realidade aumentada que você pode integrar ao caderno. Impressoras domésticas que suportem papéis texturizados e geradores de QR Code são recursos essenciais.

Planejamento e personalização do caderno

Análise das necessidades da criança

Antes de montar o caderno, realize uma avaliação psicopedagógica para identificar as dificuldades específicas da criança. Observe padrões de erro na leitura e escrita, nível de atenção sustentada e preferências sensoriais. Registre informações em um diário de atendimento para orientar a seleção de estímulos.

Seleção de atividades

Baseado nas observações, escolha atividades que estimulem a consciência fonológica, a coordenação motora fina e a memória de trabalho. Por exemplo, exercícios de traçado de letras em relevo combinados com leitura de sílabas destacadas em cores vivas. Inclua desafios graduais, aumentando a complexidade conforme o progresso.

Organização do conteúdo

Estruture o caderno em módulos temáticos: fonologia, leitura, escrita e autocontrole emocional. Cada módulo pode conter 5 a 7 páginas com estímulos multissensoriais. Utilize divisórias e índices claros para facilitar a navegação. Anote, em cada seção, os objetivos terapêuticos e os critérios de avaliação.

Montagem passo a passo

Preparação das páginas

Recorte as folhas nos tamanhos desejados e cole os materiais táteis. Utilize cola quente ou fita dupla-face para fixar tecidos e lixas. Em seguida, recobre as bordas com fita adesiva colorida para garantir durabilidade.

Adição de elementos sensoriais

Insira envelopes pequenos com algodão umedecido em óleo essencial. Nos cantos das páginas, adicione QR Codes que direcionem para áudios de leitura e músicas relaxantes. Use etiquetas removíveis para que o aroma possa ser substituído quando necessário.

Testes iniciais

Apresente o caderno à criança em uma sessão experimental. Observe reações emocionais, nível de engajamento e possíveis rejeições sensoriais. Ajuste a intensidade dos aromas, selecione novas texturas ou altere o ritmo das atividades conforme o feedback.

Integração com outras técnicas neuroeducacionais

Arteterapia e musicoterapia

Combine páginas de desenho sensorial, onde a criança pinta texturas e explora cores, com trilhas sonoras que estimulem relaxamento. Inspire-se em arteterapia neuroeducacional para criar atividades de expressão emocional.

Biofeedback e realidade aumentada

Utilize aplicativos de biofeedback para monitorar níveis de estresse e frequência cardíaca durante as atividades. A criança pode visualizar, em tempo real, sua resposta fisiológica a cada estímulo. Junte essa estratégia com experiências em realidade aumentada para reforçar a aprendizagem e a autorregulação. Veja mais em biofeedback na psicopedagogia.

Como usar o caderno em sessões psicopedagógicas

Estratégias de aplicação

Inicie cada sessão com revisão de páginas já trabalhadas para reforço, seguido de novas atividades. Estabeleça metas claras, como “ler e traçar cinco palavras texturizadas” ou “identificar sílabas em cores específicas”. Varie o ritmo: momentos de alta estimulação sensorial e intervalos de relaxamento.

Monitoramento e ajustes

Registre, em cada encontro, observações sobre desempenho e nível de conforto. Utilize uma planilha de fluxo de sessão, semelhante às planilhas de organização financeira, para planejar as próximas etapas. Caso a criança apresente fadiga ou distração, reduza estímulos ou troque atividades.

Dicas para estimular o uso autônomo em casa e na escola

Compartilhe com familiares e professores um guia resumido para manutenção do caderno. Encoraje a criança a explorar as páginas em momentos de dúvida ou frustração. Ofereça premiações simbólicas (adesivos, elogios) para cada meta alcançada. Em sala de aula inclusiva, organize momentos em que múltiplas crianças usem seus cadernos em atividades colaborativas, estimulando a troca de impressões e a construção de narrativas coletivas.

Para reforçar o uso cotidiano, sugira a criação de um cantinho multisensorial com materiais complementares. O apoio da família é fundamental para generalizar habilidades aprendidas para diferentes contextos.

Considerações finais

O caderno multisensorial é uma ferramenta versátil e poderosa para psicopedagogos e educadores que trabalham com crianças com dislexia e TDAH. Ao combinar estímulos táteis, visuais, olfativos, auditivos e digitais, ele torna a aprendizagem mais significativa e motivadora. Seguindo este guia de planejamento, montagem e aplicação, você poderá criar um recurso personalizado e efetivo, promovendo avanços cognitivos e emocionais nos alunos.

Não deixe de adaptar o caderno às necessidades individuais de cada criança e de integrar outras estratégias neuroeducacionais para potencializar os resultados.

Materiais sensoriais educativos de alta qualidade podem enriquecer ainda mais suas intervenções.


Professora Fábia Monteiro
Professora Fábia Monteiro
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